Não compreendo esse destino
que me arrasta
pelos cabelos negros
e mortos
como a um lenço
ao vento
Nem que caminhos
salpicados de fossos e folhas
foscas
forjam
o meu espaço
Que hei de fazer
de mim
de minhas forças
se me desobedecem os membros
do pensamento
como o sangue
que cora a face impotente?
A que respostas almejo
a que certezas?
Se ressecam e voam
leves
até mesmo as dúvidas
que alimento com lascas da alma
impune…
Que hei de exigir
da vida
dos outros
de Deus
Posto que nada me devem?
Que é da minha conta?
Que é meu?
Além do tormento de ter de querer
qualquer sonho
que me arrebate?
Que hei de ver surgir
depois de todas as coisas?
depois de qualquer coisa?
depois do instante perpétuo
que não me deixa ver
para onde aponta
a minha sombra?
Que hei de saber
um dia?
Porque hoje não sei de mim
nem sei de coisa alguma
nem do que seja saber.
Penso que seja um útil artifício linguístico
da razão
que zomba do meu olhar de criança
Ou afirmativo da propriedade das coisas
últimas e primeiras
Ou presunção do ser
sobre uma utópica
autonomia do espírito
Saber talvez seja
somente
O mais soberbo dos verbos.
O saber deveria saber que o mesmo ainda sabe pouco!
kkkkkkkkkkkkkkkk