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Posts de Setembro, 2007

A penumbra da noite agonizante
como o vulto que encobre o rosto triste
pelo medo da morte, em vão, insiste
em pesar sobre o mar o último instante
mas se deixa vencer, não obstante
espalhar ao redor melancolia
e sangrar, como sempre acontecia
gotas mornas em tons alaranjados
salpicando-as em nós que ali, cansados
contemplamos, sem voz, a dor do dia.
Dor de mãe, dor [...]

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Inter-rogação

Olho em volta os livros
folhas cor de lava
orelhas carcomidas
surdas
abotoados
acorrentados
em corredor de morte inconsumável
e penso
- as palavras -
tantas
letras de mãos dadas
quantas
ex-clamações
inter-rogações
vejo-as
todas
reproduzindo-se sufocadas em fungos
a forjar sentido
e inter
rogo por elas de alma
e s c a n c a r a d a
a ventura de uma
pção
ru
e
pliniana
nos dobramentos tectônicos
de teus dedos.

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Sull’amore

Só o amor importa. Todo o mais são instrumentos ou incidentes.

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Sulla pace

Paz é o que existe no vazio absoluto.

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I.S.

A procura do outro é uma metáfora da caça a si próprio.
A isso chamo Individualismo Subliminar.

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A um poeta nº 2

Trazes no peito o fardo da paixão
nas duas mãos os ossos desse ofício
n’alma pulsante a chaga que é resquício
do amor que em ti é graça e maldição
Cospes o verso avesso, louco e são
como se fora expulso de um hospício
arremessado de alto precipício
um desperdício, vã contradição
E calas, pois, depois, arrependido
de haver mais uma vez desfalecido
aos pés do Deus destino onipotente
E então [...]

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Dom inútil

Dom inútil, dom fortuito,
por que a vida me foi dada?
E o destino, com que intuito?
a condena a um fim: o nada?
Que poder hostil, do pó,
suscitou minha alma ardente
e lhe deu paixão, mas só
dúvida à minha mente?
Sigo a esmo de ermo peito
mente ociosa e, sem saída,
pesaroso, eu me sujeito
ao maçante som da vida.
Aleksandr Púchkin
(Tradução de Boris [...]

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A morfina da existência

Viver é decepcionar-se. Decepcionar-se continuamente, em maior ou menor intensidade. Encobrimos a realidade sob o tênue véu do conformismo numa ânsia desesperada de dissimular a insatisfação. Conformar-se é refutar a evidência de que TUDO sempre poderia ter sido melhor, mais correto, mas bonito, mais agradável, mais divertido, melhor interpretado, melhor escrito, melhor qualquer coisa do que foi. Poderia e pode.
A alegria é efêmera e [...]

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Esse palavrão assustador é o nome da substância inicialmente responsável pelo delicioso e poético cheirinho de mar que nos acaricia o olfato..
Produzida por minúsculas algas marinhas, pelo invisível plancton e pela vegetação dos manguezais, esse composto de complexo nome de batismo (não sei como ainda se pode estranhar o meu..) está presente nos oceanos na razoável quantidade de milhões [...]

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