Viver é decepcionar-se. Decepcionar-se continuamente, em maior ou menor intensidade. Encobrimos a realidade sob o tênue véu do conformismo numa ânsia desesperada de dissimular a insatisfação. Conformar-se é refutar a evidência de que TUDO sempre poderia ter sido melhor, mais correto, mas bonito, mais agradável, mais divertido, melhor interpretado, melhor escrito, melhor qualquer coisa do que foi. Poderia e pode.
A alegria é efêmera e se deve à acomodação. E esta, por sua vez, significa amainar as dificuldades, as misérias, os males que se apresentam incuráveis; é distanciar-se de si e do insensível mundo sensível. É dizer ’sim’, enquanto o coração balbucia ’ainda não’… Mas o que seria de nós não fosse esse ’sim’ suavemente analgésico? E que sucederá aos bravos loucos que dão voz à alma insaciada??…
A inquietude causada pela ânsia de se obter algo, de se atingir um propósito qualquer, de se ver real o que se afigurava sonho, de querer, querer, querer mais… Isto é angustiante, tormentoso, aflitivo, incerto, duvidoso. Mas é justamente essa turbulência interior que nos impulsiona os passos adiante. E vivemos, pois. Masoquistas, dissimulados, vulneráveis e pseudo-felizes.
Querer é sofrer. Viver é querer. Logo, viver é sofrer. Ao sofrimento… o conformismo. Eis a morfina da existência.
Palavras retas não necessitam de comentários tortos.
Legal esse texto!
Talvez compartilhe alguma coisa q escrevo com vc!
Beijos
adonis