Tu foste todo sombra noite a dentro
pairavas e tragavas e tossias
por entre mãos de fumo tão vazias
é em ti, somente em ti, que me concentro
À grande custa, à força bruta, adentro
a tua fortaleza, carnes frias
e sinto exatamente o que sentias:
em tua alma o amor foge do centro
Como quem quer livrar-se de uma pena
e nesse vão delírio traiçoeiro
é a si - mas não somente - que condena
Depois tu vais embora sorrateiro
e a única ternura dessa cena
é o beijo no cigarro no cinzeiro.
C. Y.
01/2007
Oi Clarrissa!
Belo poema!
E ai, vc vai mesmo p/ pedra da boca nesse feriado?
Adônis
Muitas vezes o fim é o mais custoso, né? Pena que muitas vezes não consigamos mater as expectativas do começo.
Bom fds.
Clarrissa, esse poema é perfeito. Emocionante, seja pela beleza dos versos, seja pelo ritmo e musicalidade das palavras. Vim aqui, inclusive, pedir sua autorização para postar esse soneto no nosso ‘Sons de Sonetos’. Claro, você sabe, tudo com a devida citação da autoria e com link voltado para seu blog, a fim de que outros possam também conhecer sua belíssima poesia. Grande abraço, Poetisa!.