O ser humano, em sua maioria, tem o hábito de assimilar novos conhecimentos sem questionar sua origem, seus meios e métodos de descoberta, sua veracidade. Parece-lhe que as coisas são assim porque sempre foram e pronto e todo mundo sempre soube delas. As leis da física são obvias. A natureza é obvia. “Claro que a Terra Gira em torno do Sol, não vêem”? “A lua? É um satélite natural da Terra, ora essa, que pergunta…” O que não é objeto de dúvia soa banal, evidente, certo. O fato é que, se ousarmos parar para reparar melhor, quase nada é certo, muito menos inquestionável. Além disso, pode-se muito bem dar de cara com o desconhecido e não ser socorrido pelar certezas universais.
Que o digam os astrônomos, astrofísicos, cosmólogos e loucos do gênero (no melhor sentido da expressão). Nenhum asteróide em rota de colisão com a Terra os inquieta mais do que uma incógnita de nome “energia escura”. Simplesmente porque ninguém faz idéia do que seja essa força que, estima-se, compreende a insignificância de 70% de toda a matéria e energia do universo. Não é de hoje que os físicos desconfiam da existência de energia no vácuo, mas quando partem para os cálculos obtêm resultados extraordinariamente elevados, que vão do infinito a zilhões de vezes mais que o necessário (!) inclusive para explicar a incrível força dessa energia, o que levou o Nobel de Física Steven Weinberg a franzir o sobrolho e arrematar: “Deve haver algum erro aí”. Weinberg considera tais resultados nada menos do que “o pior erro na estimativa de uma ordem de magnitude em toda a história da ciência”.
Uma comparação para esclarecer o alvoroço em torno da energia escura: Se lançássemos uma bola ao alto, ao invés dela subir, parar e depois voltar às nossas mãos por força da gravidade, a energia escura faria com que sua velocidade aumentasse sempre e a bola desapareceria no espaço. Essa força seria responsável pela expansão acelerada do universo, segundo dados captados pelo olho do Hubble. Nada poderia ser mais subversivo.
A matéria ou energia escura pode ser o indício de que muito do que se “sabe” sobre o universo seja apenas, como afirma Timothy Ferris, algo equivalente à ponta de um iceberg, que nossa limitadíssima visão não alcança.
Penso que nós também somos feitos, em elevada porcentagem, de energia escura. Que é o espírito, a alma, senão a energia incompreensível que zomba da natureza? Talvez sejamos alma e estejamos corpo. Da mesma forma que, cogita-se, a matéria escura pode ser inerente ao universo. Há quem se aveture a categorizá-la com base em parâmetros diversos, a encaixá-la em moldes, há quem se julgue capaz de explicá-la racional ou irracionalmente. Mas convenhamos, não há leis, regras, limites. Não há fôrma que comporte o disforme.
Atire a primeira pedra quem nunca foi surpeendido pela alma alheia… (ou pela própria, por que não?)
A diferença é que a energia escura parece ser a mesma nos quatro cantos do universo conhecido, vez que desencadeia efeitos semelhantes, ao passo que “a” alma é múltipla, inimitável e mutável.
E isso me leva a pensar em universos incontáveis e díspares, obedientes ou não a leis velhas, novas, eternas… feito almas, talvez interagindo, bem ou mal, talvez isolados… Talvez, talvez…
n sabia que se aventurava também pelo campo da astrologia e ciências afins. =P
uma dúvida que tenho: quando (se), daqui há uns anos, a gente conseguir voltar no tempo, nosso futuro, do jeito que era (ou que está sendo) sofrerá alterações. os mundos paralelos seriam criados a partir daí, destes caminhos possíveis?
“… condição humana ridícula, limitada e que usa só 10 por cento de sua cabeça animal… ” raul santos seixas
na área das informática, o pessoal desenvolve uma coisa chamada de computação quantica, utilizando de particulas atomicas que podem permanecer em dois ou mais estados ao mesmo tempo. algo revolucionário do ponto de vista dos bits ( 0s e 1s), e acho que tem a ver com a ruptura com as visões cartesianas, dicotomicas…. e blá bláblá
já falei demais.
cheiro, mocinha.
“Não há fôrma que comporte o disforme.”
[mudez]
Clarrissa, sempre Clara!
A beleza das múltiplas existências que se interconectam, a meu ver, está aí: no talvez, no incompleto, no que parece caótico e aleatório (ou será em partes?), no que se desconhece, no terreno que nos suga para o abismo, nas asas que nos retiram dele e nos fazem alçar vôos inestimáveis.
Que imensidão de (im)possibilidades comportará o Cosmos e o ser?
Tudo, em absoluto, é um milagre e um mistério aos meus olhos.
Sinto saudades de você… quando me mandará uma carta?
Ah! você que pedia novos sons para ouvir, demos início ao blog de músicas. O endereço é http://www.sonoraaurora.blogspot.com
Baixe o “Cabezas de Cera”, é um tanto interessante.
Beijos, irmã