Amizade é para sempre, como a História. Ambos existem enquanto houver memória. Enquanto houver passado que a alimente, numa relação de simbiose, ou que lhe crave os dentes de parasita. Amigos estão para a amizade com os fatos para a História. A presença daqueles faz resplandecer a amizade, tanto quanto a reprodução dos fatos confere nitidez à História. Interessante é que vão-se os fatos, mas ela permanece. Vão-se os amigos e resta a amizade. Eis o que me intriga.
É evidente que o ‘fazer’ histórico não se confunde com o ‘contar’ uma história. Fazer história é cavalgar o tempo, sem rédeas. Ou ser cavalgado por ele, sem destino. Tem-se História a cada trote, a cada movimento, a cada inspiração do homem, a cada expiração do tempo. Uma vez consumado o ato, gravado na lápide do tempo que se fez poeira ou rascunhado no borrão do porvir e sendo tudo isso entornado nas duas mãos da memória, pode-se afirmar que há História.
O mesmo acontece com a amizade. Uma vez ‘amizade’ (não digo ‘verdadeira’ porque dispenso redundâncias), sua imortalidade depende da capacidade de ser chama. A sensação de amizade, a sua lembrança, a paz que ela nos proporciona, equanto acesa na memória, é perene, tanto na forma de diálogo e convivência, quanto na forma de recordação, emoldurada em saudade.
É verdade que, assim como enxergamos a História com olhos adaptáveis à luz da realidade, o que nos faz contemplá-la de maneira diferente conforme a época em que se vive, também a transformação que sofremos, ininterrupamente, modifica a imagem do amigo e da amizade. Tal distaciamento, normalmente, tem o condão de atenuar possíveis aspectos negativos, ao passo que contribui para que tanto a História quanto a amizade tornem-se cada vez mais rarefeitas, menos intensas, menos presentes, embora ainda presente.
Prova disso é sentir o coração soluçar, apertado, ao abrir uma das portinholas do armário do cérebro e rever o filme do passado compartilhado. É, com uma das mãos, protejer a chama que persiste e, com a outra, aparar as gotas do coração que se faz líquido pelo calor. Eu amparo uma fogeira com todos os membros, com todo o cuidado, com toda a discrição do mundo.
E por ninguém ter nada com isso, tome-se o dito por não dito.
Acho que é a coluna de Walter Galvão no jornal que me dá um trabalho miserável de ler. As vezes preciso de um esforço sobremaneira também por aqui.
Não sei, no entanto, até que ponto isso pode ser bom ou ruim. O fato é que foi inevitável perceber ou relacionar este texto a pequenos trechos da sua vida que conheço.
De minha parte, sempre tive mais amigas do que amigos. E conto nos dedos na mão do Lula os que posso realmente chamar de amigos.
sem mais por enquanto. prometo ruminar mais a respeito e fazer um comentário decente.
cheiros, fia
Mas que grata surpresa!
Cá estou, encantada com suas palavras.
Puramente alma, mente e mãos de poetisa.
Um abraço encharcado de saudades, amiga!
pronto, completou um mês. Já pode fazer um novo post.
=P
C(l)aríssima, passe lá no Delírio e pegue um meme que deixei pra você. É meio bobo, mas bem… se quiser responder. Beijinhos, sumida!
Mulher, cansei de entrar no teu blog e esse texto estar no topo. É a vida que está mais interessante que a arte?
Foi a arte que se desinteressou pela minha vida.