Publicado em Versos livres em Julho 22, 2008 | 4 Comentários »
Quanta hipocrisia há em lamentar-se
tudo e lamentar-se
todo.
Que falsidade agasalha o desejo se ser
Outro, qualquer um
Outro.
Se não há olhos para ver
mas para serem vistos ou crerem que o são
Cravemo-lhes as unhas de Édipo e
entreguemo-nos aos outros sentidos tolos
Antes confusos que pretensiosos,
que mentir às claras é mais que
crer
na verdade.
Da vida, da sorte, do acaso
Da calçada que me [...]
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Publicado em Versos livres em Julho 20, 2008 | 5 Comentários »
Dentre tantos outros eu tenho
um vício incurável
O de ser líquida como a renda do rio
e querer amar a todos
os poros úmidos
das margens.
O vício de não ter forma
a doença de não querer tê-la
Eu penso na Vida e canso
e envergonho-me
de querê-la inteira
(Mas o amor é estúpido!)
E se Ela manda-me ao diabo,
Eu vou.
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Publicado em Versos livres em Julho 20, 2008 | 1 Comentário »
Eu nunca me contradigo
eu apenas digo e digo sempre
que tenho vontade
Digo para dentro e para fora
e este dizer de nada me serve
senão para ironizar a consciência
absurda de Ser
Sempre tenho o que dizer
e sempre digo
por isso já não reconheço o timbre
do silêncio e sua paz
de vácuo
Contradizer-se é calar
Calar é não pensar
E não pensar
é ter razão.
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Publicado em Versos livres em Julho 20, 2008 | 1 Comentário »
Tudo já foi dito, dizem
com quantas e outras palavras
Se não foi dito, foi pensado e calado
Há dias de nevoeiro
em que as palavras não estão para primavera
Acontece que às palavras não é dada a verdade
ou a esta, aquelas não saltam
Ou nada disto diga coisa com coisa, pois
a verdade tem cara de palavra
e ambas têm letras e [...]
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Publicado em Faniquito em Julho 11, 2008 | 9 Comentários »
(Não há riscos de luz no quadro negro da noite. O vento arranha as folhas com frio afago. Bocas retas. Olhares perdidos no tempo híbrido. Há música. Sempre há música à noite, nos dedos do vento ou nos rios do sangue. Como não a ouvissem, resignou-se em sussurro. É hora de silêncio.)
Eu gosto do frio. [...]
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Publicado em Versos livres em Julho 8, 2008 | 3 Comentários »
No altar promíscuo da noite
ergue-se tinta
a hóstia
envergonhada
Do corpus triste
escorre
sal e gozo
em cálice de narciso
No dorso do espelho
o arrepio das águas.
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