Cantar, sempre cantar, erguer a voz!
Dar credibilidade a uma mentira
Fingir que não existe Amor nem Ira
Depois dá-los à luz num grito atroz!
Cantar, venha cantar comigo, a sós
Chorar a eternidade que eu traíra
Quando Deus, negligente, errou a mira
E deixou que eu roubasse a Luz aos sóis!
Não queira me apagar o fogo à língua
E deixá-la entortar-se inútil, [...]
Posts de Outubro, 2008
Era uma vez
Publicado em Sonetos, Uncategorized em Outubro 29, 2008 | 3 Comentários »
Uma pergunta
Publicado em Sonetos, Uncategorized em Outubro 28, 2008 | 18 Comentários »
Pobre descrente, vem ser Só comigo!
Sossega um lábio noutro, entreaberto
Ergue com as tuas mãos teu raro abrigo
Fecha os olhos e crê que estás coberto!
Brinca com o medo, vem morrer mais perto
De mim que hoje eu sou teu melhor amigo
Não por ser mais sincero ou mais antigo
Mas por também ter sede e ser Deserto!
Somos dois animais [...]
Transfiguração
Publicado em Sonetos, Uncategorized em Outubro 25, 2008 | 10 Comentários »
Não venha me dizer que enlouqueci
de dedo em riste e farpas na garganta
Se o meu não ter nem ser Limite espanta
é que há cegos que só sentem a si
Se estou louca, que importa? Renasci!
Já fui Anjo, Princesa, já fui Santa
e fui a flor que às vezes o amor planta
hoje espalho-me em cacos de Rubi!
E de [...]
Ultimato
Publicado em Sonetos, Uncategorized em Outubro 20, 2008 | 7 Comentários »
Amor, não diz quem és, mostra-me a cara
deita, em meu colo, a flor de uma alegria
beija, em meu rosto, a lágrima vazia
deste mal que não tem nome e nem sara
Ó, grande Amor, não sê meu, só repara
neste enlaçe de lança e fantasia
franze, na testa, o nojo que eu franzia
velando as esperanças que eu plantara!
Cegue-me o [...]
Insanidade
Publicado em Sonetos, Uncategorized em Outubro 19, 2008 | 3 Comentários »
Conviver: viver com ou viver sem?
Cem vezes solitário em meio a tudo!
Tanto estrondo de amor no peito mudo…
Descubro a multidão, não há ninguém!
Tanto dizer-se “não, talvez, porém”
tanto estreitar o sentimento agudo!
Eu, que convivo só, canto e me iludo
Somente a voz do verso me faz bem…
Quanta mentira, quanto jogo vão
Quantas unhas e tapas, quantos dentes!
tosca coreografia [...]
Soneto de esterilidade
Publicado em Sonetos, Uncategorized em Outubro 18, 2008 | 4 Comentários »
Sei que tu vais embora e eu também
somos, antes de tudo, movimento
e eu, igualmente a ti, não me contento
em ser, dos outros, dádiva e refém
Ah, quanta vida existe sempre além
desta breve centelha de momento
e ser humano é ser o mais sedento
de tanto querer tudo nada tem
Anda, que o tempo adianta e segue à frente
rasga o [...]
Tinto suave
Publicado em Versos livres em Outubro 18, 2008 | 4 Comentários »
No líquido trôpego a luz
oblíqua da lua
encantadora e morta
Entorno o néctar como entorno a vida
gotas em fuga irracionais e cegas
Em goles lentos lambo
a solidão como se buscasse sentido e
não sinto senão a mediocridade de estar sent
indo.
Entornando-me a mim
banho-me e bebo e embriago-me e
acaricio na areia o meu templo de liberdade e
arranco a máscara que [...]
Dane-se o título
Publicado em Versos livres em Outubro 18, 2008 | 5 Comentários »
No pontilhar da vida
exalta-se
a dança do apocalipse nosso
de cada dia
Eterno revolver de olhares e passos
Ornar incansável de um palco inevitavelmente óbvio
em que se perpetua a arte do subterfúgio
e a graça
de ser e saber-se
ridículo.
Olho em volta este palco
cenário de coisas irrefutavelmente certo
e silente
Verdade irritantemente sóbria
e protagonista em lugar do
Homem,
Soberbo coadjuvante fracassado de um espetáculo
sem graça e [...]
Flores de junho
Publicado em Décimas, Uncategorized em Outubro 6, 2008 | 7 Comentários »
Saber cantar em cores o destino
acarinhando a face branca e muda
da tela, enamorada que, desnuda,
entrega-se ao pincel em dasatino
é como ver, com os olhos de um menino,
as curvas da verdade que seduz
sorver dos céus os tantos tons de azuis
flagrar num traço a própria vida inteira
sentir, do amor, a febre traiçoeira
mais que domar a luz é [...]