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Posts de Maio, 2009

A velha mão esquerda da cidade
Com os dedos macerados pelo rio
Não sente, em suas linhas, o assobio
De um trêm que desafia a eternidade
Cavalga sobre os trilhos, muito lento
Sem perceber se está distante ou perto
Seguindo a exatidão de um rumo certo
A um’outra plataforma do relento
Em baforadas quentes de fumaça
Esvai-se a luz de um tempo, a juventude
E [...]

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Flor de lis

Eu nunca reparei no teu vestido
Tampouco no colar que te estrangula
Mas hoje tu me vens chamar de mula
Mostrando o teu cabelo colorido
No entanto, meu amor, não faz sentido
Atribuir-me tal palavra chula
Pois ante a minha sede e a minha gula
De ti, jamais teria percebido.
Pro seu governo (ou para seu deleite)
Os homens têm visão de raio X
(Tu [...]

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Desci, da estante, as folhas amarelas
Deitei a vista escura sobre elas
Nas páginas, os rastros de um desejo
Eu vi… e os meus dois olhos salivaram!
Na língua destas águas navegaram
Olhando os arrecifes do sobejo…
Espasmos de uma vida entrecortada
Por sombra e cor – dois lados de uma espada -
Descansam nestas folhas esquecidas
E, quase embalsamados pelo fungo,
Resistem no ruído [...]

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Aberração

Muco de Humanidade
A poesia
Esgarça esborra escorre
E não é líquida.
Não tem carne ou trigo
Rosto. Sobrenome. Aura. Piedade.
Não tem cor nem é negra.
Devora e desonra sem
fome ou verbo.
Não tem verso
Futuro
ou camada de valência.
Apátrida no espaço
Pedra no sapato
do Tempo.
Poesia é o lado impenetrável
De dentro
Oco e surdo
Terrivelmente surdo.
No entanto
É deste Mundo.

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