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Arquivo da categoria ‘Faniquito’

À tarde, sonâmbula.

Contemplo o mar desde as gotas que me alcançam os pés até a finitude imensuravelmente reta que esbarra no céu. Adiante, erquem-se robustos arrecifes que cruzam a eternidade aos socos de brutas ondas coroadas de branco sal. E assim, a cada rugido violento, sendo já outros e jamais os mesmos, para sempre hostis ao incansável [...]

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De costas para o espelho

Voltar a vista ao passado e contemplar uma vastidão de erros e frivolidades e, ainda, admitir que tudo ou quase tudo seria deliberadamente modificado ao primeiro descuido do estrito e autoritário curso do tempo é atitude digna de admiração…
… e pena.

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Aquele instante em que o corpo denuncia uma vontade incontrolável de chorar inquieta-me como uma dúvida. É quando cedem as amarras da sobriedade ou estravaza o cálice da razão e a pobre criatura entrega-se ao instinto, como no princípio. A carne palpita, a face lateja e entorta-se numa expressão que prenuncia o desespero. Os olhos [...]

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Natal para além do tempo

Confesso que não me sinto a vontade para desejar feliz natal nem aos entes mais próximos. Não se assustem com a heresia, cada vez mais instintiva e presente em meus pensamentos desregrados. Não se trata de negar importância ao evento, que traz, em essência, um válido significado altruísta. Acontece que coisa nenhuma há cuja essência permaneça intacta. Tudo corrompe [...]

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Razões irracionais

Escrevo poesia, simplesmente, porque não caibo em mim. Porque, embora saiba ser o ser humano inatingível em sua essência, uma teimosia atípica não me permite desistir de esticar os braços e rogar às pontas dos dedos que roçem essa essência. Escrevo porque sinto o universo em carne viva. Nuances cambiantes invadem-me por todos os poros [...]

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Teatro que dá gosto

Assistir a um grande espetáculo teatral deixa-me não menos inquieta do que exultante. Sobretudo quando a peça é filha autêntica dessa Paraíba de tantos talentos e percalços no caminho dos que fazem teatro.
Não que eu seja bairrista ao ponto de considerar a “naturalidade” da montagem um critério idôneo para avaliar sua qualidade, mas é, [...]

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“Uma pessoa só pode ser realmente feliz se enxergar sua propria vida como um serviço e tiver um objetivo definido para além de si mesma e de sua felicidade pessoal.”
 Liév Tolstói

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Sull’amore

Só o amor importa. Todo o mais são instrumentos ou incidentes.

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Sulla pace

Paz é o que existe no vazio absoluto.

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I.S.

A procura do outro é uma metáfora da caça a si próprio.
A isso chamo Individualismo Subliminar.

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