Ouve, Cecília, o som que escorre desses galhos
Como agasalhos sobre um fino corpo frágil
Escuta, não te vás, permites o contágio
Do vírus da poesia, irmã da alma em retalhos
Sente o frescor do suor de mais de mil trabalhos
Que a natureza é assim, qual trabalhador ágil
Não tarda, nem descansa ou pára em dado estágio
Completa-se, perfeita, enquanto somos [...]
Arquivo da categoria ‘Poesia’
Ócio ao ar livre
Publicado em Sonetos em Julho 27, 2009 | 4 Comentários »
Consubstanciação da enfezação
Publicado em Sonetos em Julho 27, 2009 | Deixar um comentário »
(À D3mócrito Roch… digo, Garcia)
Se eu te disser que tu és filho da puta
E te mandar àquela que o pariu
Não venha reprovar minha conduta
Vá se lascar, você foi quem pediu
Deixe de fuleiragem de piralho
Se frescar dessa merda é bom que corra
Porque sou eu quem manda nessa porra!
Vá esculhambar na casa do caralho!
Escrachar é a função [...]
Ama o próximo como atchim mesmo
Publicado em Versos livres em Junho 6, 2009 | 2 Comentários »
São todos uns
apaixonados:
Os Santos. Os Psicopatas. Os artistas.
E todos vivem gripados
espirrando paixão nas
cruzes, cruzes
nas covas, covas
na alma.
Logo,
o amor existe.
Acontece que somos alérgicos.
Das revoluções e outras obras
Publicado em Versos livres em Junho 6, 2009 | 1 Comentário »
Na frigideira
sapateiam óleos
de todas as órbitas.
Os mais arregalados sonham
sentar o ferrão nos dedos de Atlas e,
de rã,
Morrem pirotecnicamente.
Os menos, fritam devagar
fazendo careta.
Aqui ou acolá fica
uma bolha
ou uma disenteria.
Se calhar, uma cicatriz
ou um câncer.
Daí a diversidade tempero-gutural da humanidade.
Ao amigo de ontem
Publicado em Versos livres em Junho 6, 2009 | Deixar um comentário »
Não cuspa as
costas
do meu silêncio:
É dormente a carapaça.
Cuspa a cara, a cara
mesmo, sem rosto
um cuspe de urtiga,
que eu abro, da língua
as glotes até lamber
fumaça. E mereço.
Ainda que boceje a boca seca
de Justiça
(e saudade)
Nunca me lembro de molhá-la.
Desidratei a sensibilidade.
Conclave
Publicado em Versos livres em Junho 6, 2009 | 1 Comentário »
No céu
a clave sem sol
voa baixo.
Semínimas e máximas
sensações sou eu
na janela
com a cara imprensada
na grade.
Chove tanto, tanto…
Que a orquestra
atonal do meu quintal
tem febre.
Uma poça. Um sapo. Uma palha. Uma bica.
.
.
.
Eu tenho inveja.
Às margens do Sanhauá
Publicado em Quadras, Uncategorized em Maio 30, 2009 | 1 Comentário »
A velha mão esquerda da cidade
Com os dedos macerados pelo rio
Não sente, em suas linhas, o assobio
De um trêm que desafia a eternidade
Cavalga sobre os trilhos, muito lento
Sem perceber se está distante ou perto
Seguindo a exatidão de um rumo certo
A um’outra plataforma do relento
Em baforadas quentes de fumaça
Esvai-se a luz de um tempo, a juventude
E [...]
Flor de lis
Publicado em Sonetos em Maio 30, 2009 | 1 Comentário »
Eu nunca reparei no teu vestido
Tampouco no colar que te estrangula
Mas hoje tu me vens chamar de mula
Mostrando o teu cabelo colorido
No entanto, meu amor, não faz sentido
Atribuir-me tal palavra chula
Pois ante a minha sede e a minha gula
De ti, jamais teria percebido.
Pro seu governo (ou para seu deleite)
Os homens têm visão de raio X
(Tu [...]
Sem título
Publicado em Sextilhas, Uncategorized em Maio 20, 2009 | Deixar um comentário »
Desci, da estante, as folhas amarelas
Deitei a vista escura sobre elas
Nas páginas, os rastros de um desejo
Eu vi… e os meus dois olhos salivaram!
Na língua destas águas navegaram
Olhando os arrecifes do sobejo…
Espasmos de uma vida entrecortada
Por sombra e cor – dois lados de uma espada -
Descansam nestas folhas esquecidas
E, quase embalsamados pelo fungo,
Resistem no ruído [...]
Aberração
Publicado em Versos livres em Maio 20, 2009 | 1 Comentário »
Muco de Humanidade
A poesia
Esgarça esborra escorre
E não é líquida.
Não tem carne ou trigo
Rosto. Sobrenome. Aura. Piedade.
Não tem cor nem é negra.
Devora e desonra sem
fome ou verbo.
Não tem verso
Futuro
ou camada de valência.
Apátrida no espaço
Pedra no sapato
do Tempo.
Poesia é o lado impenetrável
De dentro
Oco e surdo
Terrivelmente surdo.
No entanto
É deste Mundo.