Ouve, Cecília, o som que escorre desses galhos
Como agasalhos sobre um fino corpo frágil
Escuta, não te vás, permites o contágio
Do vírus da poesia, irmã da alma em retalhos
Sente o frescor do suor de mais de mil trabalhos
Que a natureza é assim, qual trabalhador ágil
Não tarda, nem descansa ou pára em dado estágio
Completa-se, perfeita, enquanto somos [...]
Arquivo da categoria ‘Sonetos’
Ócio ao ar livre
Publicado em Sonetos em Julho 27, 2009 | 4 Comentários »
Consubstanciação da enfezação
Publicado em Sonetos em Julho 27, 2009 | Deixar um comentário »
(À D3mócrito Roch… digo, Garcia)
Se eu te disser que tu és filho da puta
E te mandar àquela que o pariu
Não venha reprovar minha conduta
Vá se lascar, você foi quem pediu
Deixe de fuleiragem de piralho
Se frescar dessa merda é bom que corra
Porque sou eu quem manda nessa porra!
Vá esculhambar na casa do caralho!
Escrachar é a função [...]
Flor de lis
Publicado em Sonetos em Maio 30, 2009 | 1 Comentário »
Eu nunca reparei no teu vestido
Tampouco no colar que te estrangula
Mas hoje tu me vens chamar de mula
Mostrando o teu cabelo colorido
No entanto, meu amor, não faz sentido
Atribuir-me tal palavra chula
Pois ante a minha sede e a minha gula
De ti, jamais teria percebido.
Pro seu governo (ou para seu deleite)
Os homens têm visão de raio X
(Tu [...]
Casa da mãe Joana
Publicado em Sonetos em Março 31, 2009 | 3 Comentários »
Meu pai se chama Aurélio (o pai dos burros)
Mamãe se chama Joana e a casa dela
Abriga Deus e o mundo (eu moro nela)
Os dois vendem churrasco, eu vendo churros.
Quando eu nasci, mamãe rasgou-se em urros
Ficou doente, gorda e amarela
Depois meus dez irmãos ‘cabaram’ co’ela
Coitada… ainda aguenta chifre e murros.
Vovó, de fralda, vive numa cama…
Meus seis [...]
Único
Publicado em Sonetos em Março 30, 2009 | 4 Comentários »
Entorno em tua boca o mesmo Amor
Que em outros lábios secos eu verti
Pois pode o Bem Amado ser quem for
Amor não tem medida e nem croquis
Ao afirmar amar-te eu não menti
E o fiz sem protocolo e sem pudor
Meu coração, no entanto, é um amador…
Sangrou outrora e agora espirra em ti
Amar é andar descalça e de [...]
Marteleto para quatro pessoas (só para descontrair e descoser as teias de aranha)
Publicado em Sonetos, Uncategorized em Março 9, 2009 | 2 Comentários »
Era tarde, a sarjeta, o chip, o disco
A incerteza da espera, o gole quente
O calor derretendo corpo e mente
Só uma dúvida: Eu volto, agora, ou fico?
Lá vêm eles! Até que enfim… Entramos.
Um churrasco moderno, em vez de espeto
Tem fumaça, tem pizza… (onde eu me meto…)
Até som de garrafa nós tiramos!
Teve ainda o momento dicionário
A palavra [...]
Versos C(l)aros
Publicado em Sonetos, Uncategorized em Dezembro 8, 2008 | 6 Comentários »
Lançando aos quatro cantos estilhaços
Do peito há muito farto de sentir
Eu rogo a Deus que os versos do porvir
Não venham dar à luz amores baços
Eu vou pisar os ermos vãos de espaços
A que ninguém tem braços pra subir
E estendo as mãos àquele que ouse vir
Traçar, do tal destino, os mesmos traços
E enquanto eu for somente [...]
Soneto de indiferença
Publicado em Sonetos, Uncategorized em Dezembro 8, 2008 | 5 Comentários »
Eu fui teu verso, eu fui a tua lira!
Brinquei, no teu olhar, em trajes de ouro
Tornei-me a carapaça de um besouro
Que – por não mais servir – ele retira!
Levaste à boca o pão que eu repartira
Com as mãos que te ofertaram meu tesouro
Meteste, entre os meus dedos, mau agouro
Sou hoje o teu reverso, outra mentira!
Mas [...]
Cerimônia Real
Publicado em Sonetos, Uncategorized em Dezembro 8, 2008 | 3 Comentários »
Não tenho vocação para troféu
Nem pra morar debaixo de redoma
O laço da virtude não me doma
Em mim o Inferno inflama enquanto Céu!
Meu coração é terra de Bornéu
Tão rico e devastado e ninguém toma
As dores de que um verso é só sintoma
- voz de um Templo de horror, meu Mausoléu!
E nesta noite clara eu me enclausuro
No meu [...]
Penitência (Ou Uma verdade no meio do caminho)
Publicado em Sonetos, Uncategorized em Dezembro 4, 2008 | 4 Comentários »
(A l’insegnante)
Não sou profissional coisa nenhuma!
O versejar, pra mim, é um ritual
De gozo e sacrifício sem igual
Grito por fé, não por ofício, em suma…
Trago a palavra em mim qual marginal
Faço que corte, mate e me consuma
E busco, inutilmente, a que resuma
Uma qualquer Verdade, a bem ou mal!
E se, num grande acaso, eu tropeçasse
Na tal Verdade [...]