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Archive for setembro \29\UTC 2007

Às flores

A penumbra da noite agonizante
como o vulto que encobre o rosto triste
pelo medo da morte, em vão, insiste
em pesar sobre o mar o último instante
mas se deixa vencer, não obstante
espalhar ao redor melancolia
e sangrar, como sempre acontecia
gotas mornas em tons alaranjados
salpicando-as em nós que ali, cansados
contemplamos, sem voz, a dor do dia.

Dor de mãe, dor de parto, de alegria
de se ver renascer o que era morto
não se sabe se é ruim ou reconforto
dar a vida ao que já não mais sofria
mas se a vida é bem quista, todavia
seja dura, penosa, amarga, louca
e estremece até mesmo a voz mais rouca
pelo instinto animal de permanência
é porque, contrariando a consciência
quer-se ter alegria, embora pouca.

Não importa se é simples ou barroca
desde que seja imensa, exagerada
mas se for rara, parca, quase nada
já não se há de dizer que a vida é oca..
mil palavras me vêm, agora, à boca
mas somente o silêncio tem razão
pois não traz, em essência, imperfeição
e nos faz perceber como é bastante
ver o parto do dia exuberante
para as flores.. não queira explicação.

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Inter-rogação

Olho em volta os livros
folhas cor de lava
orelhas carcomidas
surdas
abotoados
acorrentados
em corredor de morte inconsumável
e penso
– as palavras –
tantas
letras de mãos dadas
quantas
ex-clamações
inter-rogações
vejo-as
todas
reproduzindo-se sufocadas em fungos
a forjar sentido
e inter
rogo por elas de alma
e s c a n c a r a d a
a ventura de uma
pção
ru
e
pliniana
nos dobramentos tectônicos
de teus dedos.

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Sull’amore

Só o amor importa. Todo o mais são instrumentos ou incidentes.

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Sulla pace

Paz é o que existe no vazio absoluto.

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Vitruviano do século XXI

vitruviano.jpg

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I.S.

o-ser-e-o-infinito.jpg

A procura do outro é uma metáfora da caça a si próprio.

A isso chamo Individualismo Subliminar.

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A um poeta nº 2

Trazes no peito o fardo da paixão
nas duas mãos os ossos desse ofício
n’alma pulsante a chaga que é resquício
do amor que em ti é graça e maldição

Cospes o verso avesso, louco e são
como se fora expulso de um hospício
arremessado de alto precipício
um desperdício, vã contradição

E calas, pois, depois, arrependido
de haver mais uma vez desfalecido
aos pés do Deus destino onipotente

E então te sentes puro, fraco, exposto
mas não conténs as luzes no teu rosto
do riso do prazer mais indecente…

C. Y.
11/09/2007

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