Feeds:
Posts
Comentários

Archive for janeiro \28\UTC 2008

Era um extenso
vão
suspenso em sombras
e urros
tensos
de noite branca

Era o meu coração
rouco
e pálido e cálido
e roto

engasgado de luar.

Read Full Post »

De costas para o espelho

Voltar a vista ao passado e contemplar uma vastidão de erros e frivolidades e, ainda, admitir que tudo ou quase tudo seria deliberadamente modificado ao primeiro descuido do estrito e autoritário curso do tempo é atitude digna de admiração…

… e pena.

Read Full Post »

  1. Engarrafamento na Epitácio Pessoa:

    – Arroto de carro roto em torta rua reta retumba.

  2. Síndrome da indecisão:

    – Relendo rascunho ou remendo ou risco ou rasgo.

  3. De Cássio Cunha Lima:

    – Rá ré ri ró rua.

  4. Da retratação:

    – O rato, retalhado de remorso, reformou a roupa roída do rei de Roma.

  5. Do velho imundo que escarra na biblioteca setorial:

    – Escarrar catarro ralo no ralo é certo. Na rua é errado, porco.

  6. Podre de rico:

    – Roberto* de Ferrari no Retão** é ridículo.

  7. Slogan anti-estresse:

    – Recuse irritações.

* Roberto Santiago, rei do Manaíra Shopping.
** Retão de Manaíra, a rua que termina no mar e que ninguém conhece pelo nome.

Read Full Post »

Aquele instante em que o corpo denuncia uma vontade incontrolável de chorar inquieta-me como uma dúvida. É quando cedem as amarras da sobriedade ou estravaza o cálice da razão e a pobre criatura entrega-se ao instinto, como no princípio. A carne palpita, a face lateja e entorta-se numa expressão que prenuncia o desespero. Os olhos acendem, ardem, encharcam-se num estado deplorável de falso alerta. O último fôlego é disperdiçado na peleja inútil para a preservação da mínima serenidade, invólucro de uma pseudo insensibilidade. A alma esforça-se, a todo custo, por permanecer dissimulada, embora esteja certa de que no passo seguinte desfalecerá sobre o joelhos, apática, ao escorrer da primeira lágrima. Despe-se, então, peça a peça, persona a persona, para render-se no instante seguinte de nudez. A sensação é de impotência, de derrota, de não se saber o que fazer, nem o que se transfigura nem o que o contempla.

De minha parte, padeço do mal de não saber consolar. Talvez por um forte sentimento de empatia, que me faz enxergar as coisas de dentro e não de fora. Não consigo dizer palavras fortalecedoras porque muitas delas seriam hipócritas e, ademais, não resolvem nada. Podem criar uma atmosfera aprazível que dê novas cores à situação, mas nada mudam, em geral. Se têm esse poder, todavia, são mais que bem vindas.

Por essas e outras calo-me e há quem me chame “coração gelado”… rs. Mas o meu coração é líquido.

E goteja.

Read Full Post »