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Archive for setembro \17\UTC 2008

Toda a Honra e toda a Glória
Agora
e para Sempre.

Ao que veio para ser Grande e Melhor
ao querer pouco e fazer-se
Igual.
(Igual, meu Deus, em quê, além da casca de átomos?)

E foi palavra e foi silêncio e
Verdade e
Caminho e
Vida.

Àquele que foi exato
e foi à cruz para Salvar
não sei o quê.

(Que cor tem a Salvação? Que endereço?
Quantas linhas tem a Sua mão?
Quantos ângulos tem o Seu abraço?)

Àquele que redime em chagas
de Sangue
e Verbo.

Toda a Honra e toda a Glória
Agora
e para Sempre.

Àquele que aponta e dita
e É
o Bem absoluto que mora acima.

A Ele a Glória!
A Honra!
Os louros da eternidade Imaculada!

Aos outros
filhos do mesmo sangue e virtude
Filhos libertos à mercê
da Sorte e da compaixão
da Fé
Filhos deitados ao ombro
da Esperança
A esses a corda bamba da Vida!
O cárcere da matéria
Um só coração para o exército da Alma!

O pó aos joelhos
As alturas aos braços curtos
As escrituras aos lábios crentes
A penitência.
– custo da salvação anunciada.

Aos bastardos o ônus
da Desonra e da Escória
Agora
e para Sempre
Aquém.

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Todas as palavras e seus dizeres não valem mais do que
o olhar
sem sombras.

Toda a humanidade não vale mais do que a sinceridade
do desejo.

Toda a filosofia afoga-se numa lágrima e
a escurece e a minha face
é líquida e suja
porque está vestida.

E o meu amor…

O meu amor é tanto
e coisa alguma.

(Como é possível haver paradoxo para
aquém da linguagem?
Como é possível haver impossibilidade onde
lê-se amor?)

Amo em verso porque sou pequena.
Se eu fosse grande
Iria a campo e faria a guerra e morreria
de amor.

(Bendita estupidez de rebanhos adestrados a quem
basta o ordinário e a paz da omissão!
ou
Bendita seja a navalha louca da liberdade Inominada a quem
basta não haver correntes ao pulso!)

Benditas sejam ambas o que quer que
Sejam.

O que forem
que sejam boas e existam e
Mostrem-se.

(A quem ou a quê levanto eu a voz?
Quem haverá de brandir o condão e conceder realidade
à minha prece?)

Porque rente ao pó
ser livre ou cerceado é ser estúpido
até que a morte separe
os adjetivos.

(Mas eu salto e enxergo
os meus versos e
coro.
Porque sou fútil e sou
pouca e
não tenho paciência.)

Imagino que o mal é querer o que não há.
E as coisas e as pessoas estão certas.
E o mundo é perfeito porque é torto.

Eu percebo e calo e deito
ao lado a caneta.

E a sinceridade do mundo habita
este gesto.

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Ah, que vontade indomável de chorar!
e verter todas as lágrimas do mundo até
a última gota!

Este vazio que é tanto
transborda
e eu engasgo e tusso
uma palavra.

A necessidade de compreender-me é má
e sufoca e desola-me
a certeza de que o saber de si é de
mentira.

Sou o que quis ser?
Sou eu a que sou?
A que fui, quem era?

(Ouve o meu grito, meu amor
Ouve o meu desespero branco!
Amo-te sempre o amor dos sóbrios
Dos inocentes!)

A criança que houve em mim está morta.
Eu velo a sua alma ao pé do tempo
que segue.
Velo a criança e sua brancura de
luz.
Velo seus olhos de cristal e suas mãos de
nuvem.

Sou outro.

(É verdade que as pessoas melhoram?)

Em que realidade pode-se crer e estar certo?
Em que dimensão as almas todas dar-se-ão as mãos
além das fronteiras da carne?
Em que tempo será possível abraçar-se e lamber
do beijo sem braços e sem lábios e olhar-se
sem o estorvo de haver olhos a ditar a verdade
do Outro?

Mentir por querer é mentir duplamente
Eu minto porque existo.
Como quem vende-se para sobreviver
e não dá por isto.

(A ti, meu amor
o meu peito escancarado! Enxergo-te
como não vejo a mim e tu és claro
feito as luzes todas a amarem-se num raio que existe!
Vai embora e arrasta-me e crê
que o amor não morre
com o Fim.)

Nasci com todas as bençãos nas mãos
e as perdi
ou queimei.
Talvez as chamas e seu bafo de fumaça não me permitam
o alento da lembrança.

Sou outro.
e serei ainda outro
Diverso.

(Só o amor floresce em qualquer chão
E dá calafrios
enquanto há vida.
O amor, claro
– Uma idéia.
Sem o fardo do real nem
as arestas das palavras.
O amor que eu criei para mim
e para ti.
E vou amá-lo como verdade minha para todo o
Sempre. Amém.)

Agora vai
e quarda-me e guia-me até que venha a luz
e ofusque o meu esboço.

Que eu nasci para não saber o fazer com a Vida
e trouxe olhos de certeza e exclamação para mentir
com propriedade
a minha desordem.

Leva o meu silêncio.

Que para além disso
Sou
igualmente a ti e aos outros
Uma farsa.

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O nome do amor

(A Cleber Vital)

Num mundo em que se foge da tortura
no encalço da certeza e da alegria
cheguei a acreditar que poderia
talhar a vida em golpes de ternura

Trilhei tantos caminhos a procura
da natureza humana e eu queria
flagrar o bem maior que não se via
além das letras da literatura

Mas hoje eu me contento com a verdade
do cheiro de uma pétala de flor
e colho num jardim a humanidade

Da qual oferto aos homens o sabor
em versos que consagram a amizade
como sendo o melhor nome do amor.

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O nome da dor

Não me importa ser o inferno
os Outros ou
eu mesma ou
calabouço e masmorra dos
ímpios ou
o que quer que seja.

Não me importa o inferno em
aforismo, afresco, argila, argamassa, algorítmo ou
Lava.

Por mim
Dane-se o inferno e seus espelhos
também o céu em harpas
que não é mais nem menos
e sua distância de
sombra.

Calem-se todas as exclamações
da Verdade!

Pois os dedos que apontam
as escrituras
não são dignos das traças.

Por mim
Incinerem as palavras de
diamante.

Que eu
À dor oferto
o deserto
do anoni(mato).

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Não ergam pedestais de vidro
debaixo de pés
descalços

Não vale a pena velar redomas de plástico
vidas a fio
ou curvar-se perante andores
de fumo e renda.

Que tudo são renda e fumo
e plástico e vidro

E andores e redomas e pedestais
são idéias de fracos
ou tolos.

Não me estendam as mãos abarrotadas!
Não me dêem à luz em coloridos partos!
Não forcem partos em cores à minha luz!

Não me ergam à brancura dos loucos!
Nem tampouco atirem-me à lucidez
dos saciáveis!

Tragam-me as mãos vazias
e o peito em brasa.

Que a minha arte é nenhuma
E eu não sou poeta

Sou poesia.

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Pergunta-me das coisas
e eu te respondo:
Repara.

Compreende que o certo é fraude
e a compreensão é
vil

Percebe que a vida finge
e não há quem saiba
Ser

Bebe das cores a mentira
onírica do Ouro
de que os olhos fartam-se
ingenuamente bêbados!

Sê.
que a sina dos sentidos é serem servos:
Ceder à ciência
e entregar-se à Arte…!

Sente-os todos e escarra-os
neles e para eles
e zomba-os
e morde-lhes o beijo
com infidelidade recíproca

Submete a soberba de sábio
à prudência da pedra.

Que a Beleza ainda
quer salvar o mundo do jugo da
Verdade.

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