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Archive for dezembro \08\UTC 2008

Versos C(l)aros

Lançando aos quatro cantos estilhaços
Do peito há muito farto de sentir
Eu rogo a Deus que os versos do porvir
Não venham dar à luz amores baços

Eu vou pisar os ermos vãos de espaços
A que ninguém tem braços pra subir
E estendo as mãos àquele que ouse vir
Traçar, do tal destino, os mesmos traços

E enquanto eu for somente a voz de um canto
Neste acalanto que estremece tanto…
Fico a pensar que o teu caminho entortas

Para encontrar com o meu não mais em sonho
E neste pensamento, a ti, me exponho
Como se, da minh’alma, abriste as portas!

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Soneto de indiferença

Eu fui teu verso, eu fui a tua lira!
Brinquei, no teu olhar, em trajes de ouro
Tornei-me a carapaça de um besouro
Que – por não mais servir – ele retira!

Levaste à boca o pão que eu repartira
Com as mãos que te ofertaram meu tesouro
Meteste, entre os meus dedos, mau agouro
Sou hoje o teu reverso, outra mentira!

Mas posso asseverar que não me importa
Fertilizar a terra pr’outra horta
E ver arrebentarem-lhe as raízes

Eis o que faço e tu jamais o fazes
De minha parte eu fiz, com a vida, as pazes
Enquanto és inimigo, mas não dizes!

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Cerimônia Real

Não tenho vocação para troféu
Nem pra morar debaixo de redoma
O laço da virtude não me doma
Em mim o Inferno inflama enquanto Céu!

Meu coração é terra de Bornéu
Tão rico e devastado e ninguém toma
As dores de que um verso é só sintoma
– voz de um Templo de horror, meu Mausoléu!

E nesta noite clara eu me enclausuro
No meu salão de festas todo escuro
Para a consagração transcendental…!

Depois não mais serei Princesa mítica
Serei, pra sempre, Deusa paralítica
No ofício de cupim de pedestal!

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(A l’insegnante)

Não sou profissional coisa nenhuma!
A poesia, em mim, é um ritual
De gozo e sacrifício sem igual
Grito por fé, não por ofício, em suma…

Trago a palavra em mim qual marginal
Faço que corte, mate e me consuma
E busco, inutilmente, a que resuma
Uma qualquer Verdade, a bem ou mal!

E se, num grande acaso, eu tropeçasse
Na tal Verdade em cor e carne viva
Nada mais eu diria a não ser “Passe…

…Que eu não quero cultuar nem Deus nem Diva!
Quero, tão só, rasgar o teu disfarce
E, depois de te ver, que eu sobreviva!”

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