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Archive for the ‘Sonetos’ Category

Ócio ao ar livre

Ouve, Cecília, o som que escorre desses galhos
Como agasalhos sobre um fino corpo frágil
Escuta, não te vás, permites o contágio
Do vírus da poesia, irmã da alma em retalhos

Sente o frescor do suor de mais de mil trabalhos
Que a natureza é assim, qual trabalhador ágil
Não tarda, nem descansa ou pára em dado estágio
Completa-se, perfeita, enquanto somos falhos

Ouve, não há silêncio, em que lugar o há?
Se tudo, vivo ou morto, entoa mil linguagens
E vibra e soa em nós, aqui ou acolá

Te deixa estar assim, só existindo às margens
Da vida que ela bem sabe onde desaguar
E nós, aqui, a sós, somos tão só paisagens…

(Outro poema antigo… do tempo da delicadeza.)

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(À D3mócrito Roch… digo, Garcia)

Se eu te disser que tu és filho da puta
E te mandar àquela que o pariu
Não venha reprovar minha conduta
Vá se lascar, você foi quem pediu

Deixe de fuleiragem de piralho
Se frescar dessa merda é bom que corra
Porque sou eu quem manda nessa porra!
Vá esculhambar na casa do caralho!

Escrachar é a função dessa mizera
Pode mostrar aos nerds lá da Soda*
E engasgar-se de rir ou não, no entanto,

Guarde-o no coração, ah, quem me dera…
Ouvir você dizendo a mim: “Tu é foda!”
E eu te mandar tomar naquele canto!

*Empresa de programação onde o Sr. Kiko trabalha.

(Algum dia de algum mês de 2008)

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Flor de lis

Eu nunca reparei no teu vestido
Tampouco no colar que te estrangula
Mas hoje tu me vens chamar de mula
Mostrando o teu cabelo colorido

No entanto, meu amor, não faz sentido
Atribuir-me tal palavra chula
Pois ante a minha sede e a minha gula
De ti, jamais teria percebido.

Pro seu governo (ou para seu deleite)
Os homens têm visão de raio X
(Tu vais à vaca e eles vêm com o leite)

E tudo o que te enfeita só lhes diz
Do instante em que teu corpo nu se deite
Com as pétalas lembrando a flor de lis…

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Casa da mãe Joana

Meu pai se chama Aurélio (o pai dos burros)
Mamãe se chama Joana e a casa dela
Abriga Deus e o mundo (eu moro nela)
Os dois vendem churrasco, eu vendo churros.

Quando eu nasci, mamãe rasgou-se em urros
Ficou doente, gorda e amarela
Depois meus dez irmãos ‘cabaram’ co’ela
Coitada… ainda aguenta chifre e murros.

Vovó, de fralda, vive numa cama…
Meus seis pirralhos vivem se esgoelando
Quando não, tão com fome ou tão cagando.

O corno mais inútil é meu marido
Banguelo, leso, liso, enfim, fudido!
Mas da cambada toda é o que reclama!

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Único

Entorno em tua boca o mesmo Amor
Que em outros lábios secos eu verti
Pois pode o Bem Amado ser quem for
Amor não tem medida e nem croquis

Ao afirmar amar-te eu não menti
E o fiz sem protocolo e sem pudor
Meu coração, no entanto, é um amador…
Sangrou outrora e agora espirra em ti

Amar é andar descalça e de alma nua…
Porém, é antes verbo intransitivo
Não há quem complemente e o não exclua

E sendo um só o Amor eu não me privo
De amá-lo – inteiro – em ti, mas não ser tua
– É teu o Amor enquanto houver motivo.

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Era tarde, a sarjeta, o chip, o disco
A incerteza da espera, o gole quente
O calor derretendo corpo e mente
Só uma dúvida: Eu volto, agora, ou fico?

Lá vêm eles! Até que enfim… Entramos.
Um churrasco moderno, em vez de espeto
Tem fumaça, tem pizza… (onde eu me meto…)
Até som de garrafa nós tiramos!

Teve ainda o momento dicionário
A palavra da vez: concomitante.
Em seguida uma outra: ubiquidade.

Teve o dardo! Esquecer? Só sendo otário!
A conversa dos timbres logo adiante…
A comédia, o silêncio… Ah, que saudade…!

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Versos C(l)aros

Lançando aos quatro cantos estilhaços
Do peito há muito farto de sentir
Eu rogo a Deus que os versos do porvir
Não venham dar à luz amores baços

Eu vou pisar os ermos vãos de espaços
A que ninguém tem braços pra subir
E estendo as mãos àquele que ouse vir
Traçar, do tal destino, os mesmos traços

E enquanto eu for somente a voz de um canto
Neste acalanto que estremece tanto…
Fico a pensar que o teu caminho entortas

Para encontrar com o meu não mais em sonho
E neste pensamento, a ti, me exponho
Como se, da minh’alma, abriste as portas!

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